segunda-feira, 22 de março de 2010

Meu Jardim da Criatividade

Fazia tempo que procurava algum lugar quietinho assim pra mim...

Te garanto que o caminho não foi fácil; parecia mesmo aquelas trilhas de aventura que se faz em acampamentos - começou a chover logo de cara... o caminho era estreito com muitas árvores altas que permitiam apenas que raios de sol iluminassem o chão acidentado.

A chuva caia firme, ao mesmo tempo suave. Era descida e a água escorria pelo caminho de lama. Escorreguei várias vezes, me apoiava em troncos, cipós, galhos, e descia rápido pois a ânsia de saber o que havia lá embaixo era grande... o caminho foi longo, cansativo, mas quando cheguei o tempo parou!

Era uma clareira cheia de flores, árvores altas em volta e o sol que batia forte, como um holofote que destaca o ator principal de uma peça de teatro, iluminava uma casa de madeira e vidro que me permitia ver seu interior com o mistério de não mostrar detalhes.

Com muita curiosidade me aproximei e quando parei em frente àquela porta enorme de madeira entalhada com uma clave de sol senti um peso no bolso que nem lembrava que tinha. Era uma chave, grande, de aço, pesada e com o mesmo desenho na ponta. Não tive dúvidas, abri a porta e uma brisa leve me descansou.

Tirei os sapatos, lavei as mãos, troquei as roupas sujas por um vestido leve e nos pés... nada... fiz questão de esparramar meus dedos naquele chão fresco e em seguida em um tapete que mais parecia um urso de pelúcia bege que cobria grande parte daquele salão de vidro sem paredes.
Era enorme, não sabia por onde começar. Instrumentos por toda parte e uma bancada de ferro e vidro repleta de cadernos de todos os tipos e tamanhos, folhas em branco, com linhas, pautadas, grandes, pequenas, e claro, muitos lápis, borrachas e canetas variadas.

Um lindo piano de cauda ficava à direita do salão, à esquerda uma bateria completa, 2 violões, de aço e nylon, uma guitarra e 2 baixos - acústico e elétrico. Microfones por todos os lados e atrás de outro vidro uma mesa de som e 2 computadores.

Passei horas initerruptas ali, alternava em escrever, tocar, compor. Lápis na orelha, copo na mão, apaga, grava, canta, corrige, começa de novo.

Foi-se o dia inteiro fazendo apenas uma música, e que música! Me senti superando as próprias espectativas. Falei de amor, de dor, usei palavras ou notas, mas falei.

Ao fim do dia, ja escurecia, um sorriso no rosto e uma chave na mão, deixei tudo como estava e fiz o caminho de volta. Foi rápido, fácil, limpinho, nem parecia o mesmo.

Não contei isso pra ninguém, nem que fui, nem que existe, nem a música mostrei. Só eu sei que está lá, meu segredo, meu descanso... MEU JARDIM DA CRIATIVIDADE...

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